22 de fev. de 2010

Kassab

O juiz da Primeira Zona Eleitoral de São Paulo, São Paulo, Aloísio Silveira, cassou o mandato de Gilberto Kassab. Fundamentou a sentença na existência de doações ilegais, recebidas na campanha para prefeito, em 2008.


As contas de campanha de 2008 de Kassab, entretanto, já foram consideradas boas pela própria Justiça Eleitoral. Ou seja, um juiz eleitoral julga contra a Justiça Eleitoral.


Claro que não se está, aqui, defendendo a "lisura" das doações recebidas por Kassab. Até porque tais doações são a vergonha das eleições, e todos os políticos as recebem. A depender do lado escolhido, os eleitos podem ficar em débito com bancos, empreiteiras, telefônicas, sindicatos ou outros movimentos "populares". Mas, no final, sempre é o povo que paga os favores.


A sentença de cassação da Gilberto Kassab é medida que serve apenas para bagunçar o coreto em tempos de eleições majoritárias. Tanto é verdade que o promotor que deu início ao processo, nada investigou. Valeu-se de reportagem veiculada pela Folha de São Paulo. Caso contrário, tudo passaria por "debaixo dos panos".


Já é hora de juízes e promotores deixarem de lado a vaidade e a vontade de aparecer na mídia, e começarem a trabalhar com seriedade. É para isso que são bem pagos. É hora, também, do Ministério Público e do Poder Judiciário pararem de se esconder e passarem a desempenhar o papel social para o qual existem.


Ninguém que passa fome, vive em favelas, morre em filas de hospitais ou utiliza vans e kombis porque o transporte público não os assiste, está preocupado com dita cassação. Ministério Público e Poder Judiciário devem fazer o sistema funcionar. Pois, a depender de executivo e legislativo, estaremos todos perdidos.


O circo, deixe-se para os detentores de cargos eletivos, que bom uso sabem fazer dele.

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